terça-feira, 10 de março de 2015

Discurso de ódio

Querem saber de uma coisa?
Pra mim chega.
Eu não sou mais aquela criança que concordava com tudo, que acenava para um corpo morto no meio fio, que sorria para um filho da puta que não sabe a menor ideia do que está dizendo.
Quer saber de outra coisa?
Eu estou com raiva. Estou angustiadamente com raiva, nesse momento eu gostaria de ter presas de aço para devorar a carne desses desgraçados e depois cuspi-las nos pais incompetentes que criaram estes babacas.
E digo mais.
Estou perdendo a minha flexibilidade, e digo isso a plenos pulmões pra quem quiser ouvir!
ESTOU PERDENDO A CAPACIDADE DE ACEITAR!
Não vou sorrir perante a injustiça.
Não vou bater palmas perante os corruptos, nem aceitar esta instalação que pretendem realizar.
Não, não sou nada disso do que você está pensando!
Minha mãe é uma santa e me deu a capacidade de discernir o que é certo do que é errado.
E corrupção, controle, dor e morte não são sinônimos de liberdade.
Eu vos convido a se libertarem!
Não para abusarem de uma libertinagem desmedida. Estou falando de uma opinião formada! Sem religiões, sem discursos, sem reis, nem deuses. Apenas homens! Homens no sentido integral antes que tentem me taxar.
Vos convido a experimentar da dor e do prazer que é ter o chão sob os teus pés. Ter em mente que as pessoas é quem podem mudar as coisas, ter em carne que possamos fazer algo a respeito!
Batam tuas panelas, façam tuas passeatas, fumem tuas maconhas nas calçadas, baforem na face das crianças, façam o que têm de fazer. Façam o que vocês acham correto!
Não abusem da liberdade! Não da liberdade que lhe foi dada, mas da liberdade pessoal. Do fardo de ser um ser pensante, capaz de discernir e modificar a realidade.
Matem, estuprem, ergam suas bandeiras, o mundo esta em guerra e a guerra os levará a autodestruição.
E quando vocês todos, sem exceção, estiverem a mercê de mim, Eu não juro pelo deus, no qual eu não acredito, mas eu juro por aqueles que me amam e me compreendem, que se eu tiver a oportunidade e vocês à mercê, eu ei de destruir cada fagulha da tua hipocrisia, como tentaram fazer comigo.
Isso é um discurso de ódio, sem duvida.
Adoraria poder amar a todos vocês, adoraria ter este dom messiânico, mas enquanto homem, com falhas e ambições, eu sinto ódio.

-Lágrimas de Gasolina