quinta-feira, 26 de junho de 2014

Especial

E quando você já não consegue mais discernir as coisas?
Ou melhor, e quando você não consegue discernir uma coisa, em especial?
Em especial, é a palavra. Sempre existiu e sempre existirá uma questão em especial. Algo que te faça pensar durante as noites. É, você sabe do que eu to falando.
Eu to falando daquela coisa que bate no teu peito quando vem. Que te arrepia quando vê.
Venha caminhando ou em onda. Ah, a onda. No meu caso, ela caminha e quebra sobre a minha coluna.
Eu já não sei discernir o que é, ou pensar em quando tudo isso começou.
Faz quanto tempo que a flor virou espinho? Que o casual virou necessidade?
A sensação de querer que aquilo que eu não entendo venha e me rodeie, sem rodeios.
Não quero ter que ir atrás e correr o risco de me furar com teus espinhos, mas ao mesmo tempo eu preciso ir atrás. Quero ser furado.
Qual é o problema nisso tudo? É tudo tão simples e ao mesmo tempo tão complicado.
"Acorda!" Eles disseram "Não, fica nessa não. O mundo tem muito pra ser vivido, muito pra degustar."
Eu gosto do sabor da duvida e dessa em especial.
Em especial. Essa é a palavra.
Fora do comum, notável, excelente. Palavras que não preenchem as lacunas desta duvida. Duvida que tira minhas noites bem dormidas.
Um dia amanhece como flor, cospe teu néctar em mim, Noutro fura meu peito com teus espinhos.
Meu medo é transformar tudo isso em lembrança. Lembranças estão ai para serem lembradas. Ó, pare com isso. Lembranças são um prato cheio para a infelicidade. Eu escarro nelas ou grito, para meus velhos amigos, numa mesa de bar. Lembranças para serem lembradas, não as quero. Eu escolho o momento à lembrança. O momento, eu o vivo.
Não quero que isso acabe. Sempre procurei e encontrei solução para tudo, porque eu quis, mas desta vez é diferente. Não quero sanar esta duvida. Quero que ela caminhe comigo. Gosto da sensação, mas até quando?

- Lágrimas de Gasolina