domingo, 20 de outubro de 2013

Amor Piscopata

Ah, o nosso amor, você me disse que estava escrito nas estrelas.

Mas e me deixar, estava escrito nas mesmas estrelas ou em outras galáxias?

Como pôde, depois de tudo?

Com essa cara rubro escarlate, simplesmente partir?

Falava que me amava, conversávamos sobre o futuro.

Mas enquanto eu estava sentado na cama, olhando você dormir, ouvia dizer coisas que nunca me disse.

Ouvia seus planos. Você planejava partir a muito tempo.

Cruel. Malévola. Vaca.

Simplesmente criou uma faca emocional, e cravou-a em meu coração, deixando-me afogar em meio ao sangue que transbordava da ferida recentemente aberta.

Vaca.

Vaca.

E agora, está mais feliz?

Independente de onde estiver, longe daqui, está simplesmente satisfeita? Era o que você esperava?

Espero que não. Espero que esteja sofrendo horrores.

Se for um décimo do que sofri, será insuportavelmente doloroso. O suficiente para fazer-me voltar a sorrir.


Eu tinha planos para você, sabia?

Sim, eu tinha.

Sempre que você passava, olhava sua nuca, sua espessura. Enquanto dormia, passava horas te observando, vacilando o olhar do travesseiro ao lado para sua boca semi aberta. Olhava para o topo da escada sempre que a via descendo.

Ó, minha querida, de tantas diferentes maneiras pensei em te matar.

Mas você, simplesmente, morre.

Óh, merda! Que vaca absurda que você foi! Maldita! Maldita! Vaca!

Como pôde, eventualmente, morrer?

Uma porra de acidente de carro, pelo amor de Deus!

À anos, culmino em meu interior o melhor jeito, o mais prazeroso de te matar, e você morre casualmente?

Óh, Deus!

Como suportar isso? Insensível você para deixar de lado todo e qualquer sentimento que jamais tive.

Você simplesmente partiu.

Partiu, deixando em meu coração uma facada emocional, que só será curada se preenchida por uma faca do mesmo tamanho, com o mesmo peso, com a mesma lâmina, só que real.

Espero te ver em breve.



Vaca.

- Dedos Azuis