terça-feira, 4 de junho de 2013

Guerra

A face destruída.

A faca feita de mármore.

A espada envolta por couro.

Vermes deslizam pelo meu rosto.

Meus olhos sendo perfurados por polegares opositores.

Fico cego perante a televisão.

A faca perfura meu coração.

Continuo respirando.

A fumaça cai sobre meu queixo,

Meu maxilar formiga, meus dentes rangem de raiva.

Me levanto e destruo a todos.

Os vermes caem sobre meu inimigo.

Caio ao seu lado como se fossemos velhos amigos.

Me sinto a vontade. A morte ao meu lado.

Respiro a fumaça da guerra.

A espada cai da mão do derrotado.

O derrotado se levanta e aperta minha mão.

Seguro sua garganta com força.

Punho sobre as cabeças.

Mãos sobre os peitos.

A face destruída urra com força.

A vitoria derrotada.

Ninguém vence numa luta, todos perdem.

Todos têm suas faces destruídas e seus pulmões arrasados.

Ninguém vence.

Todos e tudo destruído.

- Lágrimas de Gasolina