segunda-feira, 24 de junho de 2013

04 (Quatro)

Escamas cresceram sobre minha pele, que escorreu como piche pelos meus músculos.
Cuspi a brasa que ocupava meus pulmões.

Minhas escapulas saltaram das minhas costelas verdadeiras. Minhas clavículas contorceram-se.
Urrei. Não gritei, gritar é para os fracos.
Gritar a para aqueles que não cospem fogo como eu.

Coloquei as mãos no solo. As unhas saltaram de meus dedos e garras rasgaram meus nervos.
Urrei e os gritos vieram junto ao eco.
Eram os fracos, aqueles que não cuspiam o fogo, aqueles que não tinham seus membros eviscerados.

Contorci-me junto a poderosa dor. Dolorosamente poderoso.
Olhei para o solo e escarrei um pedaço do tártaro, a voz de cima veio grave montada sobre o Coliseu Romano.

Explodiu o planeta em caos e redenção. Sua voz ecoou pelos continentes e pelos mares, passou pelos campos e cidades e todos que a ouviram foram destroçados, lançados para o alto.

Eu direcionei meus olhos para uma de suas frontes, mas não pude aguentar mais do que segundos. O Dragão Romano esticou teus dez chifres para os céus, uma viscosidade luminosa desceu para o solo terreno.

Ao lado das luzes que caiam, levantaram-se outras criaturas. O Leviathan que adentrou os mares do Oeste. A segunda criatura dividiu-se e aterrissou no solo terreno como duas criaturas. Uma correu para o Sul e a outra se escondeu no Leste.

Me contorci. A luz cessou. O Dragão Romano voou para o Norte.
E o mundo adentrou em Discórdia, Corrupção, Caos e Escuridão.

- Lágrimas de Gasolina