domingo, 26 de maio de 2013

Libertar

O galho pendia com o peso de Carina.
Enquanto a corda abraçava seu pescoço, ela sorria para mim.
Seu corpo dançava no ar há algum tempo, naquele velho salgueiro,
indo e vindo. Uma valsa macabra.
Nossos olhos se encontraram. Ou eu encontrei o branco que preenchia
os olhos antes verdes de Carina.
- Quero ficar com você - ela me disse.
Sorri, e uma lágrima de gasolina escorreu de meus olhos azuis. 
Também quero ficar com você, quis dizer.
Compensei meu peso de um pé ao outro, indo e vindo.
E Carina pendurada na árvore, indo e vindo.
- Largue disso, abra mão! Me beije - ela me disse.
Estalei meus dedos azuis, prensando-os em busca de inspiração.
Olhei para Carina. Eu te amo, quis dizer.
- Corra, e ambos seremos livres! - ela gritou, enforcada no salgueiro.
Meus olhos tremeluziram em pânico e dúvida, e eu corri.
Corri.
Corri para Carina, e ambos fomos livres.
- Dedos Azuis