domingo, 12 de janeiro de 2014

Noite de Pesadelos

O celular vibrou, e depois reproduziu um som; Um assobio familiar denunciou a música "Three Little Birds", que se estendia vagarosamente, enquanto Sandman corria para alcançar o aparelho.

- Alô? Alô?!
- Sandman...?
- Sim, sim. Quem fala?
- Amaân, meu velho. Não se lembra mais de mim?
- Amaân, quanto tempo! Desculpe a falta de atenção... Esta tudo tão corrido ultimamente...
- Podemos nos ver hoje? Quem sabe tomar uma cerveja ou apenas uma porção de batata frita.
- Claro, podemos. Vou apenas chamar um taxi.
- Estou no Fritz. Até logo.


- SANDMAN, quanto tempo! - Disse Amaân, andando até o amigo com os braços abertos.
Após um apertado comprimento, os dois trocaram olhares e sorrisos, e entre um tudo bem tudo bom confuso sentaram-se na mesa do canto.
- Amaân, Amaân... Quem diria que voltaríamos a nos ver ainda este século? Sei que durante a Idade das Trevas nos víamos todo mês, mas, ual! Quem diria...
- Ah, Sandman! Você continua todo meloso e sentimental! - Disse, dando um grosso gole em seu chopp - Mas conte-me, como vai Martha?
- Martha, aquela vadia? - Sandman soltou uma forte gargalhada - Foi embora com Roberto, meu vizinho, assim que descobriu que eu estava pegando sua prima!
Amaân se contorceu de rir, e após arfar algumas vezes, completou:
- Don Sand, você é um imprestável! Garçom, por favor, mais dois chopps!


- Hm... Amaân... você tem certeza que consegue voltar para sua casa sozinho? - Perguntou Sandman, coçando a nuca enquanto o companheiro subia de forma atrapalhada nos degraus do ônibus.
- Para de mi mi mi, Sand. São só alguns quarteirões. O trato de hoje ainda está de pé?
- Sim, claro! - Ficou feliz pelo amigo ter tocado no assunto - Por esta noite, nada de sonhos!
 - Sim, sim! Nada de sonhos bons, nada de pesadelos! Você descansa, eu descanso, a humanidade descansa.
- Eles merecem uma noite, após tanto tempo, certo? Faz mais de dois mil anos que lutamos pelo sono deles todas as noites...
- Sim... - Murmurou Amaân - Hoje eles não sentirão medo, não sentirão esperança, apenas dormirão. A gente se vê, velho amigo!
Sandman balançou a mão, enquanto o ônibus 3.85 levava seu amigo para casa.

Esticou o braço alguns metros a frente, para chamar o taxi que passava. Iria para casa, depois de dois mil anos, e poderia tomar um banho quente e assistir um pouco de futebol. Hoje não faria ninguém sonhar. Hoje a noite era dos humanos.

Mal sabia Sandman que Amaân não cumpriria sua promessa. Esta noite, a humanidade iria sangrar.

- Dedos Azuis