quarta-feira, 12 de junho de 2013

Limitações

Apontaram para mim, disseram que meus contos eram um ultraje aos bons costumes.
Disseram que eu não podia continuar de tal maneira sem sofrer as consequências impostas pelos alienados.

Tranquei-me por dezessete horas em meu quarto, abstinente de qualquer resquício da vida terrena.
Refletindo sobre mim e meus atos. Me pus de castigo.
Eu e meus textos, contra o mundo e os malditos alienados, os verdadeiros zumbis da realidade.

Não sou uma pessoa fantasiosa, sei da realidade e como as coisas são.
Não sou prepotente, sei dos meus limites.

"Limites."
Isso é o que me prende.

Coloquei as mãos no espelho e fitei aquela face obstinada pela eternidade e pelas ilimitações que ela propunha.

Soquei o espelho, espancando o meu ser e o reflexo dele. Eu odeio aquilo.
Soquei tudo e todos. Soquei os bons costumes na boca do estomago. Escarrei na face dos alienados. Deixei meu sangue pingar sobre a cara da sociedade e a sociedade sorriu em aprovação.

Riram, brindaram e gritaram sobre a queda de outro ilimitante e consagraram em aceitação pelo mais novo membro da sociedade alienada.

Apanhei os cacos do chão. O mundo me limitava.
Cortei ambos os pulsos e senti a eternidade me preencher.

Venha, oh eternidade.

E foi no ultimo instante do ultimo suspiro em que aquele pensamento surgiu.
"E quando a não-alienação se torna uma especie de alienação?"

Mas era tarde.

E fui abraçado pela a eternidade e suas outras limitações:
A morte.

- Lágrimas de Gasolina