domingo, 26 de maio de 2013

Terror

Sutilmente o ar tonou-se seco, frio, agonizante.
Cada canto do comodo se transformava. O terror tomava conta do meu ser. As paredes, antes imoveis, adquiriam aparência gélida.
O terror. Ah, o terror.
Cigarro e suor, eram os gostos que preenchiam a minha boca. Cigarro e suor. No chão a pequena seringa de vidro. Nas paredes um movimento constante. Jamais estou sozinho.
A pequena lampada do meu quarto, anteriormente amarelada, reluzia intensamente uma luz azul, ofuscante. Meu ombro formigava, senti teu toque. Arrepiei-me.
Olhei para cima. Lá estava ele, sorrindo.
O terror. Ah, o terror. Cheirando a cigarro e suor. Sorrindo. O frio, e um insano azul. Minha respiração estava densa, meu peito subia vagarosamente, minhas mãos tremiam. E ele sorria.
Esticou os dedos negros e tocou meu peito. Perdi o folego por um instante. Ah, a deliciosa sensação de medo, agoniante.
Esticou o pescoço, senti seus lábios secos encostando em minha bochecha. O terror percorria meu ventre.
As paredes estavam cada vez mais próximas, pressionando, pressionando. O ar estava se tornando escasso. Uma brisa azul pairava no ar, enquanto ele deslizava sua língua por meu pescoço.
Meu corpo estremeceu, aquilo era o terror ou o prazer?
Senti sua língua mais profunda.
Ah, o terror.
- Cold Clown