quinta-feira, 23 de maio de 2013

Muriel


Olhei para Muriel e sorri.
- Espera eu abrir a porta, aí você aperta o botão, ok?
- Sim! - E assim foi. Escancarei a pesada porta corta-fogo da escada de incêndio enquanto ela fechava o elevador. Uma pequena corrida.
Descia ofegante por aquela incansável espiral de cimento. As paredes amareladas me perseguiam„ rodando, rodando, rindo.
5º Andar, indicava a placa verde. Minha mão escorrendo pelo corre-mão enferrujado, as paredes amarelas atrás de mim.
4º Andar. O ambiente começou a ficar monocromático, os degraus eram menores.
3º Andar. Corria cada vez mais rápido, em uma espiral infinita. Minha visão escureceu. Flashs. Uma parede amarela e um corre-mão enferrujado.
Toc, Toc. Passos atrás de mim. Sorri, devia ser Muriel tentando me alcançar.
2º Andar. Aspirais infinitas preenchiam as amareladas paredes. Minha visão escureceu novamente. Devia ter ido de elevador. Estava ficando zonzo.
Subsolo. Droga! Passei o primeiro andar e nem me dei conta! Parei, ofegante, e subi correndo. Subi um lance. Depois dois, depois três, porém não havia plaquinha alguma. nem de 1º, nem de 2º andar. Nem porta, só aspirais amareladas e paredes enferrujadas.
Desci correndo, procurando insanamente a placa de subsolo, mas não havia nada. Só corre-mãos amarelados e paredes em aspirais.
Continuei descendo, insanamente. Desci, desci, desci. Por fim, a luz de emergência estourou acima de mim, abraçando-me com um colossal escuro sombrio.
- Muriel, é você?
- Não, não é a Muriel.
- Dedos Azuis