domingo, 8 de janeiro de 2017

A Ineficiência do Mal e o Estoicismo dos Bons

De todos os males que ousam vaguear pelos homens do mundo, a falsidade fora aquele que transformara seus melhores em mananciais de uma humanidade pútrida.
Reduziram os homens a um apanhado de sentimentos e medo - principalmente medo - enquanto proclamavam o quanto isto seria o suficiente para que se entorpecessem com uma falsa aceitação perante os outros medrosos sentimentais.
Fora poderoso o método utilizado, pois, em pouco tempo, seus locutores transformaram aqueles que ousaram se opor de alguma forma.
- "Nem só de medo vive o homem" - bradaram os opositores.
- "Seus sentimentos não servem de nada" - insistiram.
Mas a oposição sabia que seus membros voltariam sozinhos. Sabia que estes se deitariam, solitários, sobre suas camas e que encarariam o céu criado pelos covardes. O mal achou que isto seria o suficiente para derrotar a oposição - e enganou-se.
O mal se julgava a última reforma a ser criada, julgando-se definitivo, pois, somente aqueles que pudessem encara-lo saberiam que este era o mal em sua forma mais perturbadora, enquanto seus sacerdotes e devotos acreditariam piamente que praticavam a mais pura das benignidades.
Então, algo aconteceu.
Em seu interior, algo empertigava as entranhas da estranha maldade que assolava a maioria dos homens. Encarou o próprio modus operandi e encontrou uma realidade avassaladora.
Reduzira-os a parasitas sem hospedeiros que logo morreriam de inanição, pois aqueles que tinham suas veias tragadas pelos covardes rapidamente excluíram-se da presença da pútrida humanidade que criara.
E em seguida, deparara-se com um evento aterrador:
A solitária oposição, que supostamente deveria suicidar-se perante a exclusão, tornara-se mais forte e intragável.
Seus números cresceram e seus membros tornaram-se maiores e sustentáveis. Não precisariam da aceitação dos covardes corrompidos pela ilusória satisfação oferecida pela degradação.
Os solitários descobriram que trabalhavam melhor quando sozinhos.
E a solidão transformara-se em liberdade.
E a liberdade transformara-se em força.
Em pouco tempo, a maldade se tornaria ineficiente e seus seguidores, reduzidos a rostos raquíticos, cairiam no esquecimento, junto a ela.

- Lágrimas de Gasolina

Homem de mármore puxando pano
The fight of man against evil by Gaetano Cellini