terça-feira, 15 de setembro de 2015

Voltas do Mundo

Se minha biografia amorosa fosse escrita, o autor seria Hitchcock.

Frio e entediado.

Viciado em ironia, quase como um remédio diário usado para combater a frustração.

Amores, aqueles, que vêm e duram até a eternidade, eterno por uma semana ou dois anos.

A minha certeza de ter o controle sobre tudo era quase arrogante.

Uma tentativa de independência.

Mas não existem razões para coisas feitas pelo coração.

É Renato... Seu subversivo, seu maluco "seu" sábio.

Aquela troca de olhares, o convite para o café .

Aqueles olhos azuis, aqueles olhos...

Um beijo e de novo me vi naquela situação que pensei ser eterna.

Pasmem! Eu não estava no controle.

Uma marionete seduzida por aqueles olhos azuis, uma feição angelical com um gênio demoníaco.

Meses se passaram, promessas que nunca havia feito e atitudes que nunca havia tomado.

Sacrifiquei meu orgulho, paguei meus pecados, fui substituído.

Falava sozinho, arquitetava conversas de reencontro, imaginava nossa viagem de lua de mel.

Mesmo sabendo que nunca mais seria minha, qualquer assunto uma esperança me arrancava gestos humilhantes.

Era sádico, era gostoso.

Meus conflitos ou meus demônios?

Talvez apenas meu ser...

Aquele desejo de suicídio após cada frustração.

Estava sendo castigado?

Por sorte ou azar o meu inverno chegou.

Agora é pra valer.

Frio e entediado.

Viciado em ironia, quase como um remédio diário usado para combater a frustração.

[...]

Aqueles olhos castanhos, aqueles olhos...

- J.A