terça-feira, 14 de maio de 2013
Processo
Descasquei a amarelada banana e fitei seu interior.
Incansáveis vermes percorriam a fruta, criando maléficos túneis
com seus corpos cilíndricos. Mas eram tantos que não pareciam
vermes, e sim um grande todo uniforme, que percorria diversas
direções ao mesmo tempo.
Um pequeno mais simpático parou e me observou. Depois sorriu.
Em instantes, caiu na gargalhada.
Ria por nós, humanos, sermos tão inofensíveis. Ria por não
termos presas nem garras. Ria por dependermos de nossos pais
durante vinte anos, as vezes mais. Ria por nos considerarmos
tão sábios, e precisarmos da opinião alheia para formar a nossa
própria. Ria por nos considerarmos tão humanos e chutarmos o
mendigo estendido na rua. Ria por resumirmos nossas vidas a
pequenas telas eletrônicas. Ria por termos um sentido de amor
tão banalizado. Ria por seguirmos aquilo que nem mesmo
acreditamos pelo simples fato de nunca termos questionado.
Ria por usarmos Facebook. Ria por gastar nossas vidas vivendo
à de outro alguém.
Olhei para o verme, olhei para a banana, e para o verme de novo.
Voltei meu olhar para a banana, abri a boca e
Processei o verme por Bullying
- Dedos Azuis
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