quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Mergulho em Águas Rasas #1 - O Sapo-Deus Monge de Pernas Grossas

Porra, cara! Você não sabe o que me aconteceu nessa ultima semana, para você ter noção, tinha uma caralhada de gente dizendo o quanto eu tinha sorte e como eu deveria ser grato a alguma entidade que não permitiu que nada de pior acontecesse.
Como sempre fui o melhor de todos em tudo que já fiz, pensei que seria uma grande ideia demonstrar o quanto meu salto ornamental seguido pelo meu mergulho Ponta de Girafa - batizado assim por mim mesmo - era imensamente superior a tudo já visto pelos olhos da minha prima de dez anos de idade. Preparei-me como um campeão e saltitei elegantemente até a borda da piscina, parecia um magnata, o Magnata da Piscina, sem dúvida alguma, esse seria o titulo ideal.
Apontei para aquela cara ranhosa de criança e disse em voz alta como deveria ser um verdadeiro mergulho, ela me olhava com aquele olhar de admiração que somente as crianças são capazes e começou a gritar de euforia, parecia uma gargalhada deformada, mas não era, disseram que era, mas é tudo mentira, ela jamais riria do primo mais velho. Isso me irrita muito, todo esse bafafá que as pessoas fazem, estão sempre falando o que dá na cabeça e nunca pesam o quanto isso pode ferir os outros, são um bando de hipócritas essa é a verdade, sempre pregando o quanto você deve ser humilde e o quanto você deve praticar o bem, mas no fim das contas, estão sempre compartilhando imagens de suas conquistas ou alguma porcaria envolvendo estupro, mutilação ou qualquer outra besteira nojenta nas redes sociais. Desgraçados hipócritas!
Arregacei a bermuda para favorecer o ângulo do meu salto, dobrei os joelhos artisticamente enquanto pressionava as palmas uma contra a outra, numa espécie de posição de sapo monge ou um louva-deus de pernas grossas, depende do ponto de vista, acho que estava mais para o louva-deus do que para sapo - sei lá. - Acho um pouco complicado essa comparação entre sapo e louva-deus, embora o sapo seja um animal viscoso e nojento, ele ainda é bem superior ao louva-deus pelo fato de estar acima na cadeia alimentar, eu até diria que sou um sapo-deus monge de pernas grossas. É, esse seria o nome ideal para a posição pré-salto.
Então, na posição sapo-deus monge de pernas grossas, disse mais algumas palavras, apenas para deixar bem claro o quanto aquele salto mudaria toda a percepção de realidade daquela criança e o quanto ela deveria correr na direção dos pais e dizer o quanto o primo dela era embaçado, o rei - o rei, não - o magnata da piscina.
O engraçado é que tudo o que eu disse para minha prima até aquele momento antes do salto, aconteceu de verdade nos minutos que se seguiram, pois realmente abalou toda a minha percepção de realidade e a garota correu - como o vento - para chamar os meus pais. Às vezes eu me surpreendo com o meu poder de adivinhação, alguns diriam ser sorte ou coincidência, mas eu acho que não, deve ser algo maior, alguma espécie de habilidade não compreendida.
Pois é, eu pulei, mas não foi por falta de habilidade que atingi o meu crânio no fundo daquela piscina, na verdade, foi um instante absurdo de azar. Foi até interessante perceber o quanto - até mesmo os mais habilidosos - estão à mercê dos múltiplos fatores do ambiente, como o vento, as ondas sonoras dos pássaros e outras micro-variações incompreensíveis. Acontece que não foi minha culpa, alguma coisa fez com que a minhas pernas deslocassem trinta centímetros para frente e fizessem com que eu ficasse com o corpo perfeitamente reto, realizando um mergulho que só seria considerado seguro se fosse feito numa piscina de três metros de profundidade, que não foi o caso.
Minha cabeça projetava um curta-metragem de uma balada dentro de um trem desgovernado que colidia com uma tela de pintura vazia - não peguei ninguém - quando voltei ao mundo real, percebi que havia se passado pouco menos de dois segundos e eu ainda estava flutuando por entre as águas avermelhadas da piscina, me ergui com minhas próprias pernas e sai da água, suspirando como um guerreiro aquático ferido.
A menina apontava para a minha testa e gritava eufórica - não eram risos, eram gritos -, dizendo que eu estava sangrando e por isso já havia me tornado uma mocinha, eu não entendi muito bem a colocação dela, mas provavelmente era alguma gíria usada na escolinha.

Continua

- Lágrimas de Gasolina

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Dor, Sofrimento e Outras Coisas Terrorosas

Deitou-se. Tentou erroneamente dormir.
Não conseguiu se quer fechar os olhos, ficou encarando o teto angular de seu quarto, esperando uma cantiga de ninar que desconhecia a letra. Esperou por mais alguns segundos e se levantou, olhou para o primeiro andar através das grades que rodeavam o mezanino, onde jazia sua cama, analisou a noite e as horas que ainda restavam, analisou o dia que ainda viria e caiu de costas na cama, deitando-se novamente.
Uma pontada de consciência ecoava por suas paredes mentais lhe dizendo que deveria dormir, que amanha seria sexta-feira e que somente na noite do dia de amanhã poderia passá-la em claro.
Uma pequena força se rebelou dentro de si e mais uma vez soltou um grito corporal de liberdade, se livrando do adiantamento do dia de amanhã. Todas as noites quando caminhava atrasadamente até a cama, se recusava a aceitar que estava à mercê do cansaço de seus membros, se recusava a acreditar na implacabilidade do tempo e de como nenhum ser vivente poderia escapar de suas garras.
Desceu os degraus o mais rápido que pôde, queria aproveitar cada momento, produzir a cada segundo e adiar o resto dos dias de sua vida. Pensou no que deveria escrever, nos trabalhos que o deixava insone. Abriu a tela do computador, esticou os dedos e os posicionou sobre as teclas clareadas pelas luzes do monitor, iniciaria o que seria o maior de todos os textos já escritos e historias contadas se não houvesse sido interrompido. Escreveu:
"Quando dos espinhos de uma pútrida flor deslizar uma gota de orvalho e esta atingir o fértil solo de"
Parou bruscamente quando ouviu o som emitido através dos corredores de sua casa e encarou a porta fechada, à espera de alguém que pudesse entrar sem emitir um ruído se quer. Até mesmo a porta de madeira maciça não apresentava empecilho para o som que escorria pelas frestas e adentravam o quarto, atingindo-lhe os tímpanos nus e trementes. Empurrou a cadeira para trás num gesto cuidadoso, sem emitir nenhum barulho, nem mesmo as rodinhas do assento que sempre insistiam em estalar se manifestaram, parecia que todo o quarto estava focado em tornar a percepção do estranho som ainda mais nítido. Pôs-se de pé e caminhou sobre uma espécie de campo minado imaginário, onde qualquer estalido pudesse desencadear a maior de todas as explosões e dilacerar os membros daquele que as provocara.
À medida que se aproximava, o som se tornava cada vez mais orgânico, mas somente quando colocou as mãos na maçaneta pudera ouvir todos os detalhes que passaram despercebidos por seus ouvidos. Eram como a espécie de um ruído causado por uma dilaceração realizada por um animal, onde repentinamente estalares de ossos brotavam, sobrepondo sons semelhantes àqueles causados por uma massa de carne sendo devorada por algum ser desdentado, um animal que fizesse questão de remoer o alimento triturado em sua boca escancarada.
Juntou as forças e os resquícios de coragem dos quais tanto fizera menção em seus contos, e girou a maçaneta, revelando um corredor abismático e de dimensões irreconhecíveis quando admiradas através da perspectiva de um observador cego. Esticou os dedos com a mesma precisão que usava para escrever e pressionou o interruptor na parede, preparando-se para atingir um alvo invisível e desconhecido. Porém no lugar de uma criatura desdentada e de dimensões monstruosas, encontrou uma névoa malcheirosa somada à atenuação dos sons que adentravam com ainda mais força e infligiam ainda mais dor aos seus ouvidos. Forçou-se a caminhar pelo corredor, tapando as narinas e desviando das sequenciais ondas de mau cheiro nauseante, que utilizavam de seu nariz como via de transporte para passageiros só de ida para seu cérebro e dominavam suas lembranças, fazendo-o lembrar das queimadas de esterco velho, que seu falecido avô realizava nas periferias de sua fazenda.
Como grande observador que era, notou as luzes que irradiavam através das frestas de uma porta trancada no final daquele corredor mal cheiroso. Caminhou como um peregrino que rasteja contra os ventos hostis e arenosos do deserto, empurrando cada som mal cheiroso e cada nevoa auditiva, lutava contra um inimigo invisível porém presente e como o fim de toda a sua demonstração de força para telespectadores onipresentes, debruçou-se sobre a porta e deixou que as luzes que escorriam pelas frestas dominassem as solas de seus pés desnudos. Como uma torcida composta por torcedores fanáticos, sua mente gritava frases encorajadoras, embora todos os seus sentidos estivessem entorpecidos, uma fagulha mental de coragem e ímpeto o fez com que girasse a maçaneta e adentrasse o desconhecido e o inefável. Uma onda de podridão em forma gasosa destruiu todos os pelos do seu nariz enquanto debruçava-se sobre a porta e admirava a vil criatura, mais conhecida como "Vovó", sentada sobre um trono formado por porcelana e restos humanos. Sua vista se tornou turva e o chão se tornou próximo, os ruídos cessaram por uma fração de segundo e apenas uma frase ecoou por seus ouvidos:
- "Amorzinho, pega o papel higiênico pra vovó, vai querido!”

- Lágrimas de Gasolina.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Influência

Hoje eu tive um sonho.
Já fazia algum tempo que eu não sonhava com algo tão real.
Lembro-me de uma face cinzenta que dizia que os finais estavam por vir.
Começou com uma tarde na praia.
Estávamos todos sentados em cadeiras disformes e plásticas sobre as areias do litoral e conversávamos sobre algo que abrigava os confins do passado, riamos como uma família.
Como uma grande esfera índigo-carmim o sol escorria sobre as águas de um mar calmo e acolhedor, alguns pássaros voavam sobre ele, grasnando um som surdo enquanto pareciam fugir e alertar de algo que estava por vir.
Todos estavam envolvidos numa conversa que eu não conseguia mais entender, seus lábios se mexiam sem proferir qualquer ruído. Lembro-me dos muitos círculos de pessoas entretidas nas próprias conversas-surdas que nos rodeavam, mas que só pude notar naquele momento.
Podia ouvir o som das raras ondas quebradiças, do mar que se afastava sutilmente como uma criança que acabara de roubar uma guloseima e o som dos pássaros.
As águas se recolhiam cada vez mais, a cada instante de forma mais explícita, ninguém as notara além de mim. Logo um cume de águas salgadas tomava forma no horizonte, como se o próprio estivesse vivo e erguendo um de seus membros para se arrastar em direção à praia.
As pessoas continuavam falando comigo, demonstrando que de alguma forma eu ainda as estava respondendo e meus gritos de pavor não às atingiam de forma alguma.
- "Você se lembra daquele dia em que fomos à praia e sua mãe ficou gritando para você sair do fundo?”.
Apontei para o horizonte e para a coluna horizontal de água que crescia e tapava o sol, deixando apenas um fio de luz azulado estendido verticalmente, riscando os céus.
- "Olhe lá no fundo!" - disse, apontando e mexendo os braços.
- "É verdade, é sempre assim com a sua mãe." - respondeu a uma afirmação não feita e soltou uma risadinha.
Alguns longos períodos de tempo se passaram, momentos que somente os sonhos podem nos proporcionar, falo daquela falsa sensação de passagem de tempo onde ficamos estáticos e somos apenas vistos por nós mesmos como atores de uma peça de teatro.
A coluna de água correu por toda a extensão das areias, engoliu tudo e todos, ocupando o local onde banhistas conversavam com seus filhos e onde as mulheres tomavam banho de sol. Fui engolido pela violência das águas como todos aqueles daquela praia, porém fui o único a sofrer pelos malefícios da falta de oxigênio, percebi isto quando procurei pelas pessoas que estavam sentadas ao meu lado e notei que elas continuavam conversando entre si como se nenhuma delas houvesse se quer sentido a força que a onda usara para arremessá-las contra as paredes. Afoguei-me e a visão escureceu.

- "Você tem outra chance." - uma voz ecoou pela escuridão.
Sentei-me sobre o concreto de algum quiosque e uma silhueta engravatada repousou a mão sobre meu ombro. Dali podia-se ver os diversos círculos de pessoas, inclusive o meu e a mim, todos sentados e conversando. As pessoas estavam dispostas da mesma forma que se encontravam antes da onda as atingir. Ao longe, podia-se ver a coluna de mar tapando o sol pressagiando o que eu acabara de vivenciar.
- "Você pode tentar avisá-los novamente, mas deve ser de outra forma." - a voz era da figura bem vestida ao meu lado - "De forma que entendam".
Em seguida, o mar consumia todas as pessoas à minha frente. Fechei os olhos.

Estávamos todos sentados em cadeiras disformes e plásticas sobre as areias do litoral e conversávamos sobre algo que abrigava os confins do passado, riamos como uma família.
Como uma grande esfera índigo-carmim o sol escorria sobre as águas de um mar calmo e acolhedor, alguns pássaros voavam sobre ele, grasnando um som surdo enquanto pareciam fugir e alertar de algo que estava por vir.
- "Não estou me sentindo bem." - gemi.
- "Aconteceu alguma coisa?" - olhavam para mim com olhos de empatia.
- "Acho que vai acontecer algo muito ruim, só isso." - respondi - "Provavelmente acontecerá nos próximos minutos”.
Imediatamente todos se colocaram de pé e começaram a juntar suas coisas.
- "Poderíamos simplesmente ficar em algum quiosque no alto, até esta sensação passar." - continuei e todos acenaram em concordância.
Subimos no mais alto quiosque e observamos o horizonte, esperando pela previsão, mas não acontecera nada fora do normal, nenhuma onda maior que dois metros ou mortes desastrosas.
Senti uma ânsia inominável, uma frustração arrasadora conhecida apenas por aqueles que já tiveram suas maiores certezas refutadas. No fundo, a vaga chama do alívio.
Senti uma mão sobre meu ombro e uma voz ecoou pela escuridão.

- "Às vezes somos mais culpados do que imaginamos".

- "E hoje, mais do que algumas vidas foram salvas" – prosseguiu.

Acordei e estava na praia.

- Lágrimas de Gasolina

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Monólogo

Você já teve a sensação de não fazer parte de algo?
Sentar na cadeira do ônibus, olhar à sua volta e não encontrar nada?
Não encontrar uma aspiração de crescimento, não encontrar alguém que você possa simplesmente conversar sobre o futuro?
Em todo lugar há pessoas implorando por ajuda, mas que nada fazem para merecê-la, já viu alguma delas?
Pessoas que preferem continuar sentadas na mesma cadeira de secretária que se sentaram desde a época do ensino médio; conhece? Sim, as mesmas que perguntam o que fazer, mas não como e muito menos por que fazer o que se faz.
Já parou para notar quantas pessoas estagnaram conscientemente no patamar em que se encontram?
O que você aprendeu no dia de hoje? Você utilizou o que aprendeu? Pelos menos ensinou alguém? Passou adiante?
Pelo amor que você tem pela praticidade que este aparato eletrônico na sua frente te proporciona, pelo amor que você tem pelo conforto da sua cama, pelo amor que você tem à toda projeção intelectual existente, me diga que você está ai! Em algum lugar. Por favor.
- "Mais um dia se passou e foi mais um dia em que não utilizei a Fórmula de Bhaskara!" - E caem na risada.
Eu simplesmente não compreendo. Não compreendo o fato de não desejarem algo mais.
Sempre vomitam o mesmo tipo de desculpa e, peço perdão aos que se desculpam com honestidade por eu generalizar todos vocês, mas não me aguento mais.
As pessoas estacionaram, amoleceram e esqueceram que o mundo é dos grandes e não dos pequenos estagnados.
Imploram e oram aos céus para que em algum dia abençoado ganhem alguma bolada em dinheiro.
Imploram e oram aos céus para que um aumento apareça no holerite do inicio do próximo mês.
Imploram e oram aos céus para que em algum dia abençoado a sorte grande bata a porta e diga:
- "Ei, camarada! Seu grande dia chegou! Isso mesmo, a partir de hoje você poderá fazer o que sempre sonhou e deixar de lado todo esse esforço que você faz apenas para garantir o teu básico. Agora sente-se ai, vamos iniciar seu grande sonho, a partir de hoje você não precisará fazer mais nada!"
Os corruptos, os ignorantes, o compassivos, os estacionários, os apáticos, os desonestos, os oportunistas, os oprimidos.
- "Ei, você ai no fundo, que acabou de se levantar. Sim! Você mesmo! Gostaria de dizer algo? Não? Ah, você só estava indo ao banheiro. Tudo bem, me desculpe. Achei que ia dizer algo... Não? Tudo bem. Não sabe se vai voltar? Mas acabamos de começar. Ah, tudo bem. Não tem problema."

Alguém me diga que estou errado, que não são todos assim.
- "Oi, você! É, você! Gostaria de dizer algo? Ah, você só quer um carregador para o seu celular? Ah, tudo bem." - Não está nada bem.

Por favor, alguém me diga que estou errado!
- "Posso ir ao banheiro?"

- Lágrimas de Gasolina

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A Falsa Aceitação

O que é pior, fazer o errado de forma consciente ou ter a ilusão de que o que se está fazendo é o correto? A negligência ou a ignorância?
Provavelmente, diríamos que a negligência é a pior das duas, pois o praticante carrega consigo a consciência e a desonra assumida pela atitude tomada e, justamente por ter esta consciência, ele deve ser duplamente punido. O indivíduo é assumidamente errado.
Porém eu lhes afirmo, sem sombras de dúvidas, que o pior é aquele que erra sem saber da natureza do erro, que afirma sem fundamento, que atira antes de perguntar, uma variante do chamado 'Idiota com Iniciativa', o ignorante; pois funciona como uma doença altamente contagiosa e quase impossível de ser destruída quando se encontra no seu ultimo estágio: A falsa aceitação.
A falsa aceitação é tão perigosa socialmente quanto uma bomba atômica a é para a humanidade, devido aos falsos valores que o indivíduo assume quando se depara com um grupo que pensa exatamente como ele; um grupo que não questiona, que não discute outros ideais e onde as outras linhas de pensamento não são bem-vindas.
O problema começa quando os próprios meios de comunicação ou até mesmo as pessoas passam a desarmar os meios de discussão.
Se todas as armas, como a denúncia, a expressão e a liberdade; forem censuradas, como poderemos dar voz às outras linhas de pensamento?
Será que a maioria é mesmo composta por aqueles que carregam a razão? E se não podemos dar voz àqueles que pensam de forma diferente, será que não estamos monopolizando as ideias e nos privando de possíveis verdades não ouvidas?

E afinal, se não posso ouvir ninguém gritando o quanto eu estou errado, provavelmente eu esteja certo, não é mesmo?

Não, às vezes as pessoas não gritam porque elas simplesmente não podem.


- Lágrimas de Gasolina