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domingo, 26 de maio de 2013

Avaliação

Oi, meu nome é João e eu tenho 15 anos.
Faço 16 anos em março e vou dar uma grande festa.
Sou um adolescente como outro qualquer. Amo meus pais.
Gostaria de amar outras pessoas. Gosto de sorvete.
As vezes me sento no balanço do parquinho que fica á algumas quadras de casa. Gosto de pensar. Penso muito.
Falar nunca foi meu ponto forte. Prefiro escrever. As coisas fluem melhor no papel. No papel, a gagueira não é percebida.
No papel, a gagueira não é motivo de deboche. 
No papel, as pessoas não veem um rapaz baixinho, muito menos tímido.
Aqui, é o meu lugar perfeito. Aqui, é a minha válvula de escape.
Aqui, as coisas fluem. Fluem do modo como eu preferir. Fluem de tal maneira, que eu não posso ser avaliado, nem julgado.

Nome: João Carlos Felipe Neto     Data: 15/01/11                  
Escola: Escola Municipal do Estado do MA
Professor(a): Cristina de Souza Augusto
Tema: Válvula de Escape
- Lágrimas de Gasolina

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Fim


Eu sempre pensei como seria o final.
Quem estaria comigo, como eu encararia este momento fatídico.  E aqui estou como achei que estaria, sozinho e aterrorizado.
Não pense que eu me assusto com a dor. Não me importo com nada disso.  O que me aterroriza agora é a mesma pergunta que me perseguiu a minha vida inteira, que tirava o meu sono.
Pra onde eu vou?
Aqui nesse minuto final da minha vida eu me pego pensando se ela valeu a pena. Vou para o céu? Inferno? Quem me dera acreditar, nem que fosse em inferno. Meu destino é pior. Meu destino é morrer, sem ser nada ou ter feito nada importante.  É ter desperdiçado uma vida única, que jamais vai voltar.
Ninguém nunca vai entender o quão desesperador é nascer já consciente que seu destino é um só: morrer.
Mas por um lado eu tenho sorte, pois não me apeguei a nada, à ninguém. Pior ainda seria ter amado a vida toda, ter tido uma vida perfeita, e ser arrancado dela à força. Ter ouvido uma frase feita como “todo mundo morre um dia” sair da boca de quem você ama, e se pegar pensando o quanto isso é cruel, não poder ser feliz pra sempre.
Ninguém nunca vai entender.
De todos os medos do mundo, todas as assombrações, assassinos sádicos, estupradores, esse é o maior de todos.
Porque não importa o quanto você se esforce
O quanto você corra.
A morte é a única certeza da sua vida.
- Amandarke

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Nem Orgulho e Nem Arrogância


O seu superior massacra o resto.

Onde está a felicidade? Em lugar algum.

Onde está a glória? Em lugar algum.

Onde está o apoio, o entusiasmo?

O Orgulho massacra de tal forma o bem que os outros tentam

te fazer, que tudo perde a cor, tudo perde o sentido.

Nem ao menos derrube essas suas falsas lágrimas.

O Orgulho mordisca por todos os lados O Arrogante.

Surge a competição, entre orgulho e arrogância, entre arrogância e orgulho.

Como se livrar de tamanho irracional confronto, se nem mesmo o

Arrogante sabe se diferenciar do Orgulhoso?

O que é orgulho, o que é arrogância?

O que é certo?

Nada é certo. Nada absoluto. Não existe Orgulho, nem Arrogância.

Existem apenas pedidos de desculpas.

- Dedos Arrogantes Azuis

Orgulho e Arrogância


Não importa o quão grande seja seu conhecimento.

Não importa o tamanho da sua casa.

Eu não ligo para o número de amigos que você tem no Facebook.

Nem ele. Nem aquele. Nem ninguém.

Sabemos que seu ego é amassado, enrugado, e também somos conhecedores dessa sua grotesca necessidade de engrandecer teus próprios atos. De buscar reconhecimento por tudo.

Não te julgo, amigo. Sei que existe um vazio aí, sim aí mesmo. Dentro de você. Um vazio que só pode ser preenchido pela aprovação dos outros, dos aplausos, mas será que tudo isso é o fundamental, o essencial?

Quantos você diminui para crescer? Quantos você fez chorar para sorrir? Quantos você passou para trás para alcançar á frente?

Quantas vezes odiou alguém que costumava amar?

Eu não duvido das suas conquistas, amigo, por isso não dou-te o direito de afrontar ás minhas. Respeite e serás respeitado. Perdoe e serás perdoado.

Ora essa, não me aponte este dedo sujo.

Sim, sei que sou orgulhoso e é por isso que te falo, amigo.

Sempre andarão juntos, os orgulhosos e os arrogantes.

Sempre.

- Lágrimas de Orgulho Gasolina

domingo, 19 de maio de 2013

Origamis


A  primeira gota tocou minha testa. Articulei minha boca com voracidade e chinguei.

Mas, ao invés de preocupar-me com os pingos em cima de mim, olhei para frente. Porém, sabemos que quando olhamos para um horizonte chuvoso, vemos uma chuva acumulada de nosso ponto de partida até o objeto focal, e não a real quantidade de chuva.

O pouco, de repente tornou-se excessivo, mesmo sendo pouco. Ao parar de me importar com o momentâneo e viver a longo prazo, toda a chuva do mundo caiu sobre mim.

E o mesmo se aplica aos problemas; acreditamos que estamos sendo sufocados quando temos pequenos empecílios, pois não vivemos os problemas do presente. Vivemos os problemas que já aconteceram, que acontecem, e que vão acontecer. Vemos a chuva pelo horizonte, e simplesmente esquecemos de olhar para cima.

Se bem que… A chuva é um horizonte de problemas quando você é um homem feito de papel…

- Dedos Azuis

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Beijo de Judas


A noite cala meus sentimentos bons
A luz da lua brilha o meu rosto,
coberto por lágrimas
A luz da lua brilha o meu rosto
O céu negro trás lembranças
não fui ovelha, fui lobo
Lobo
Me preparei para a noite
O beijo de Judas
Me preparei para a noite

- Olhos da Lua 

Cold Clown


Ela olhou para mim com a típica sombra de dúvida marcando seu jovem
rosto, e me perguntou o que vivia em minha cabeça.
Perguntou-me porque o suicídio. Perguntou-me porque o terror.
Estiquei meus dedos azuis e toqueis sua testa.
Ela escancarou a boca, atônica. Seus olhos tornaram-se cinzas, e aos 
poucos ela desapareceu.
Sorri, e por cima de meus lábios curvados, uma lágrima escorreu.
Uma lágrima de gasolina.
- Dedos Azuis

Errar


O rapaz arrumou o colarinho depois passou a mão pelo corpo, tirando toda impureza do terno. 

Seu cabelo era escuro, sua boca estava seca e seus olhos, inquietos. Procurava algo, esta era a unica certeza que podia-se tirar daquela misteriosa figura.

Ele batia o pé com força, ofendendo o solo a cada pisão. A maleta em sua mão, balançava freneticamente de um lado para o outro. Repentinamente, seus bruscos pisares cessaram e seus olhos direcionaram-se para o céu.

A mala se abriu e todo o seu conteúdo se juntara ao vento. O rapaz não esboçou reação. Estava distraído demais. Soltou a maleta e dando dois passos para trás, apontou para cima. 

Olhei para cima e vi uma bola incandescente que escorria dos céus em direção á terra.

“Eu não quero morrer.” o rapaz disse.

Outra esfera de fogo adentrava a troposfera.

Me aproximei do rapaz. Pobre homem, deixara o trabalho para conferir um boato da empresa, e quem diria, não?

Ah, se ele soubesse que tudo isso é culpa dele e que se ele não tivesse dado ouvidos aos boatos tudo estaria bem.

Ah, se eles soubessem o quão grande é o poder que eles mesmos têm sobre suas próprias vidas.

Se eles soubessem, mas não sabem.

“Adeus rapaz, espero que os outros não cometam o mesmo erro que você.”

“Como assim, que erro?”

“Exato.”

- Lágrimas de Gasolina

Lábios de Jesus


Do sangue derramado

Do vento que soprou a morte

Lembro-me do dia em que todos fomos vítimas

De nossa própria escuridão

De nossa própria escuridão

Centenas de pessoas

Todas sem perdão

Eu traguei a fumaça da discórdia

Eu tranquei mil crianças em uma jaula

Uma jaula de fogo

A noite veio, recolhemos todas as cinzas

E então nos lembramos

Que Jesus viria para nos beijar

Que Jesus viria para nos beijar



- Olhos da Lua 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Crise Inexistencial


Por favor, eu quero voltar a existir.

Eu grito, angustiado, pela vida que já tive.

Me recordo dos meus amigos, dos passeios e até mesmo dos meus pais. Ah, meus queridos pais, como será que eles estão?

Quero meu cachorro de volta. Quero poder assistir televisão.

Quero poder namorar. Conhecer pessoas, lugares. Festejar. Sorrir.

Quero tudo de volta, mas não posso. Existe algo mais forte do que eu. Algo que me prende e também prenderá a você.

Todos atingiremos a inexistência algum dia. Todos deixaremos de existir como indivíduos em algum momento e assim permaneceremos.

“Com licença. Douglas, é isso? Eu gostaria de fazer um pedido.”

Eu me tornei um nome.

E você?

- Lágrimas de Gasolina

Anjo da Cara Suja


Me julgaram uma serpente

mas fui apenas um anjo traído

E ensinei alguns homens a voar

Mas um anjo que caí

tem medo do chão, tem medo do ar

E se as serpentes soubessem voar

ai dos homens, ai dos homens

Eu sou o anjo da cara suja,

eu sou o anjo da cara suja

Eu posso voar, Eu posso voar

E aos homens

apenas as sombras desse tal de Paraíso

desse tal de Paraíso



- Olhos da Lua 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Chacal

As tripas e o sangue

O sangue que mijei

O resto e o resto de uma vida meu amor

O Rei o Rei, o Rei que matei

A Veia a Veia que cortei

Som, vozes, medo

Grito, Espanto.

As crianças mudas, não gritam jamais

Louvado sejam os mortos na guerra  pela vida

Louvados sejam os mortos na guerra pela vida

- Olhos da Lua 


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Angelical


Quando você disse adeus,

Juro ter ouvido anjos chorarem,

Meus passos foram separados dos seus

Mas te seguirei, mesmo no além.



Se o amor verdadeiro é um dom,

Porque ouvi o seu adeus?

Não mais era mais um sonho bom,

Anjos Ateus.



Rogo a qualquer coro de anjos,

Traga-a de volta,

Rogo a anjos curiosos,

Não diga que não há volta.



Se me disseres que nunca mais a verei,

Em suplicio choro e depois me arranjo,

Se me disseres que nunca mais a verei,

Apaixonar-me-ei por você, anjo.



- Dedos Azuis

Melhorar



Você teve um dia ruim?

Sente ao meu lado. Deixe-me sussurrar que te quero, que te amo, que preciso de você.

Venha mais próximo. Deixe-me pegar em sua mão, beijar seu pescoço, beijar seu rosto.

Não levante agora, espere mais uma fração de segundo!

Deixe-me puxá-la para perto, cortar o pequeno espaço entre nós.

Deixe-me afagar seu rosto contra o meu, e com um suave beijo tirar todas as suas lembranças ruins.

Não é mais uma fração de segundos. Já se passaram quase mil anos. Talvez uma eternidade.

Aquele seu céu cinza se tornou azul, mas agora é verde, refletido no enorme abismo de seus olhos apaixonados.

Só espero que você ainda me ame quando acordar, e se não acordar, saiba que eu amo você.

- Dedos Azuis

domingo, 12 de maio de 2013

Dedos Azuis


Então eu me tranquei na gaveta, e… hm.. é.. bom…
Talvez seja melhor… Melhor.. Reiniciar…

Havia um computador. Havia um computador e havia um menino.

Branco, grande e potente. E com uma maçã na tela.

Certamente falo sobre o computador.

O menino era extremamente pequeno, extremamente frágil.

Extremamente o extremo do oposto do computador.

E assim tornaram-se melhores amigos.

O menino sentava no fundo de seu quarto; cinza, escuro, irregular.

Em meio as tábuas que se contorciam como dentes podres,
ele conversava com seu computador.

Riam, cantavam, choravam. Mas o que o menino realmente
amava no imponente gadget era sua capacidade
de contar histórias.

Deitado em baixo de sua fria cama, o garoto passava
infinitas horas estático, observando, enquanto o eletrônico
narrava as mais belas histórias de sua memória RAM.

Até aquela quinta-feira chuvosa. Até aquela maldita
quinta-feira. Eu era aquele garoto, aquele era o meu computador.

E aquele foi o pior dia da minha curta e infinita vida.

Foi a quinta-feira em que o meu Mac narrou o último
conto de sua memória. Quando eu apertei “enter”,
e a sádica tela azul apareceu, gritando sussurros e pedindo
indulgentemente para a leitura ser reiniciada. Reiniciar.

Olhei, atônito.

Minha boca pendia aberta, inconformada com tal
absoluto sacrilégio. Era o fim.

Corri até a escrivaninha e arrebentei-a com um forte chute.

Folhas brancas voaram para todos os lados. Peguei um lápis,
joguei-me ao chão e comecei a escrever. Mas o grafite era fraco para
tanto ódio, para tanta inspiração. O fino material partiu-se ao meio.

Mordi o dedo com força e comecei a escrever com sangue.

Repeti isso mais nove vezes.

Não havia mais folhas brancas. Havia um menino ofegante, havia folhas escritas em um marrom escuro e quebradiço. Havia dez dedos azuis pela falta de sangue.

Caminhei até a cômoda do quarto, já tão pequena que caberia em uma mochila, e subi pela lateral do móvel.

Então eu me tranquei na gaveta, e todo o meu corpo se desfez em contos.

- Dedos Azuis

Submissão


Ela apanhava, mas o amava.

Ele batia, mas não sabia.

Ela aguentava, mas isso a destruía.

Ele ignorava, mas isso o corrompia.

Ela explodiu e um dia decidiu partir.

Ele ficou para trás e nunca mais sorriu.

Sentiu por uma vez, a dor que a destruía e o amor que ela sentia.

Fechou seu sorriso para si.

Enquanto ela abria o seu para o mundo.

- Lágrimas de Gasolina