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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ponto

Sabe, existe apenas uma coisa que eu dou mais valor do que a minha própria vida.
Não vou dizer exatamente o que é, porque isso é coisa minha e é problema meu.
Mas naquele dia, foi o dia em que colocaram-me em xeque.
Me lembro bem, malditos manipuladores, aqueles que escarram o pútrido sabor das palavras em meus tímpanos. Os dissimulados, que empurram bons sorrisos goela abaixo.
Lembro-me de estender a mão para um destes e vi todo o resto se desfazer.
Malditos sejam.
"Hei, espera um pouco, afinal de contas isso tudo tem um sentido? Por que você tá me contando isso? Qual é o ponto, cara?"
Afinal das contas, por que as coisas devem ter um ponto? Sempre pensei nisso. Será que qualquer tipo de ponto é válido? Pontos de partida e pontos de chegada? Com qual destes as pessoas mais se importam?
Ultimamente tenho pensado, creio que os pontos de chegada sempre foram os de maior interesse!
"Porra, cara, mas é lógico. Ninguém nunca quer saber como as coisas começaram. Essa parada de contexto e o 'por que' das coisas sempre foi papo furado."
Mas será que os fins justificam os meios? Como viemos parar aqui, afinal?
"Não sei, cara. Eu tenho uma teoria muito louca, as vezes penso que viemos de um meteorito ou coisa parecida."
Não, cara. Você não me entendeu. Como chegamos na droga deste assunto!
"Putz, cara, você tava falando algo sobre amor á própria vida e coisa e tal."
Ah, é verdade. Então, como estava dizendo, existem apenas duas coisas que eu dou mais valor do que a minha própria vida (...)

- Lágrimas de Gasolina

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Derrota

Sabe do que as pessoas gostam?
Sabe do que eu gosto?
Eu gosto de você.
E você? Gosta de si?
E se eu fosse você?
E se essas pessoas fossem irrelevantes?
E se tudo o que aconteceu, não fosse?
E se as coisas tivessem sido diferentes?
Você olharia pelo reflexo do tempo com os mesmos olhos de antes?
Veria um futuro e sorriria?
Ou faria como muitos, abaixaria a cabeça e seguiria em frente?
Seguir em frente. Essa é a frase dita por muitos.
E se não seguir em frente fosse a chave?
A desistência, muitas vezes desencadeia novas probabilidades.
E se essas novas probabilidades dessem frutos?
Você os colheria ou os deixaria apodrecer?
E se apodrecessem? Desistiria novamente?
Até quando o desistir será encarado como derrota? Será que o mundo não vê que a desistencia ou a fuga pode ser encarada como uma nova chance? Uma chance de recomeçar?
As vezes os frutos do sucesso não são tão saborosos quanto os frutos que ainda não provamos, como saber?
Por isso eu digo, abra-se para novas probabilidades. Quebre tuas colunas e parta tuas correntes.
Liberte-se do conceito de vitoria e do conceito de derrota.
Cresça. Aprenda. Erre.
Parta. Fuja. Acovarda-te.
As vezes, a derrota não é o fim, mas sim, uma nova manhã para despertar e lutar.

- Lágrimas de Gasolina, o covarde, o fugitivo, o derrotado. Pronto para voltar e lutar, sempre.
Boa noite.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Vala

Quantas mascaras
Eu terei de acreditar
Em quais dessas valas
devo eu enterrar

Até que sufoque
O meu coração
E nunca prorrogue
o sofrimento de viver em vão

- El Dr. Rios Eguo

quarta-feira, 19 de março de 2014

Risco de Giz

É risco de giz, no asfalto.
Abaixo de uma nuvem carregada.
A chuva levou de mim,
O que eu nunca fiz questão de ter.

Se ser feliz é de fato
Uma meta a ser alcançada,
A curva me levou ao fim
Do que eu nunca fiz questão de ser.

Sempre Trasteando.

- El Dr. Rios Eguo

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fogo

Ontem pela primeira vez chorei.
Lagrimas incandescentes.
Lágrimas escuras e lagrimas pálidas.
Elas deslizaram pela minha bochecha durante o véu noturno.
E caíram sobre o colchão molhado.
Molhado pela chuva da tarde que passou.
Jamais erre, jamais viva pelos outros.
Mas acima de tudo não impeça que os outros vivam.
As pessoas precisam de tempo
As relações precisam de espaço
Mas não de tanto espaço assim
Outra lagrima
Amanha amanhecerei com o edredom em brasas
Melhor do que uma corda enrolada no meu pescoço
Melhor do que ter a espinha quebrado num mergulho de aguas rasas
Apenas pare de pensar no que foi e no que sera
Apenas viva a droga do momento, ela disse.
Não posso.
É contra minha natureza.
Preparar, apontar. Fogo.

- Lágrimas de Gasolina

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Meus Olhos

Você não pode me ver

Nem mesmo de muito perto

Você nunca irá me ver

Talvez você enxergue o que eu sou

Mas não quem eu realmente sou

Nem mesmo se olhar nas mais profundas cores de meus olhos

Mas não quero discutir agora a estranha beleza de ter um olho de cada cor

Quero apenas lhe apresentar a tristeza

A tristeza de ser você, e não poder me ver

- Dama da Noite

domingo, 5 de janeiro de 2014

Novela

Por que estes putos sorriem o tempo todo?

O que aquele palhaço ta olhando? Tá rindo de que?

"Sai da frente, velhote."

Qual é o problema destas pessoas? Sera que elas não veem o quanto o mundo está doente?

"Será que elas ignoram isso?"

"O que, Dan?"

"Sera que essas pessoas ignoram todos os problemas do mundo: a fome, a miséria  a corrupção e todas as outras coisas?"

"Não, amigo." - Disse Miguel, sorrindo como um babaca. - "Ha ha, elas não ignoram, elas simplesmente, não sabem."

"Não sabem?!?" - indignei-me - "Você é estupido?"

"Não, nós não somos estúpidos, Danilo." - Miguel desferiu um riso. - "O único estupido é você. Olhe à sua volta, todos estão felizes. Só você que está aí sentado com essa cara de bosta. Daqui algum tempo você perceberá e sorrirá como nós, andará como nós e pensará como nós.” e voltou a rir.

"É, Miguel. A ignorância é uma benção.”

"Falando em benção, você viu a novela ontem?"

"Vi sim."

"Eu não te disse?"

E ambos começamos a rir.

- Lágrimas de Gasolina

sábado, 4 de janeiro de 2014

Determinação

O filho foi tratado como doença.

O espirito, escarrado como catarro.

A educação, deixada de lado como problema.

A ignorância cresceu dentro daquele rapaz, e a loucura, enraizou-se no teu ser.

Nas ruas ouvia os sinos das igrejas das quais nunca fez parte.

Via seus amigos e os pais dos seus amigos.

Um garoto sem alma, sem amor, sem princípios. Mas com o primordial, o mais importante.

Aquele garoto tinha o que poucos ousavam ter naqueles dias.
Determinação.

Ele cresceu. Estudou e cresceu mais.

E hoje, ele é um adulto determinado.

"Mas determinado à que?" - Você me pergunta.

Eu, particularmente, não sei, mas sabe o que dizem por aí:

“Gênios nunca revelam seus planos.”

- Lágrimas de Gasolina

sábado, 23 de novembro de 2013

Voar

Aquele bando de pré adultos uniformizados
Desgraçados
Andei pelos corredores e vi todos eles amontoados.
Filhos da puta
Gostaria de criar asas metálicas, giléticas.
Passar e cortar todos aqueles pescoços.
Desgraçados, saiam  do meu caminho
Morram
Sangrem pelos corredores e deslizem em vossos sangues.
Corri
Se assustaram
Mais um louco atrasado para alguma aula
Gritei
Morram
Tais asas apareceram em minha costas
Cortei tuas têmporas e vossos braços
Corri por todo o corredor
Fiz que o sangue deles jorrassem pelas paredes
Sangrem filhos das putas
Fodam-se tuas famílias e os teus velórios
Sangro-os e não dou a minima
Filhos de papai e patrícias.
Vão tomar no cu, desgraçadas.
Agora morram
O sinal bate, o sangue escorre
Bato nas paredes, as asas somem
O sangue desaparece
A porra das asas estão dentro de mim
E eu estou dentro delas
Que sangrem como os desgraçados ingratos que são
Fodam-se vossas famílias
Estou atrasado para a porcaria da aula de Ética.

- Lágrimas de Gasolina

domingo, 13 de outubro de 2013

Gritar é para os fracos

Dou a volta na casa e urro aos quatro cantos da rosa dos ventos.
A vida não é como ensinaram nos livros.
As pessoas não são boas.
A podridão corrompe cada gota do sangue dos corpos desses filhos das putas.

No inicio eu não estava preparado, foi um choque.
Um choque de realidades, a ilusão aprendida nos livros e os punhos desferidos em minha face.
Malditos, malditos.

Urro mais uma vez, desta vez estou no telhado. O vento escorre pelas minhas orelhas e cabelos.
Filhos das putas.
Urro outra vez. O céu se parte. A realidade se parte. O tempo para.

As crianças choram. Os fracos gritam e os inconsoláveis urram.
Urrem para a realidade. Urrem para aqueles que fazem dela um pesadelo.
Seja inconsolável, serre teus punhos, soque-os no estomago, pise no teu sangue e Urre.

Urre como um bárbaro, como um pesadelo, como o inferno. Seja o inferno e o demônio encarnado. Transforme o transformista, transforme o transformista em cinzas.
Faça-os provar do próprio remédio.
E quando conseguir, não grite, gritar é para os fracos.
Urre.
- Lágrimas de Gasolina
http://vidi.deviantart.com/art/scream-11721165

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Felicidade

Ame todas as pessoas que puder, nem que for por um segundo. O amor move o mundo.

Dance sozinho na rua com seu fone, foda-se os outros, os outros sempre vão julgar você.

 Vá em todas as festas que puder, um dia você só será convidado para velórios.

 Não se arrependa das coisas que fez, se arrependa por não ter feito o que quis.

 Abrace seus amigos sempre que os vir, nada une mais duas pessoas do que um bom abraço.

 Seja feliz com o que te faz feliz, a felicidade é a coisa mais importante do mundo.

- Dama da Noite

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Rotina

Sabe, eu nunca andei de ônibus.
Nunca vi tantas pessoas andando pela rua.
Vejo um mendigo jogado no frio. Vejo uma briga no meio dos carros.
Uma matilha de cães de rua tomam conta do asfalto, ouço uma batida oca sob meus pés.
Olho para trás e vejo um dos cães deitados no chão.
Talvez alguém devesse falar algumas coisa, é talvez alguém devesse.

Por que ninguém diz nada? Parecem tão apáticos perante o caos que chega aos meus olhos pela janela.

Sera que apenas eu assisto de verdade o que acontece lá fora? Será que eles não vêem? Sera que eles não sofrem?
Será que um dia me tornarei um ser humano tão cansado da vida que vou simplesmente ignorar os problemas alheios e apenas remoer os meus?
Será que me tornarei um escravo apático do sistema, que vai olhar para um mendigo de rua e cuspir na tua palma carente?

O ônibus para. Segunda-feira.
Eu tenho a semana toda para descobrir.

"Ou o resto da vida."
Uma voz rouca. Ouço um tiro.

Este é o terceiro suicídio este mês.
- Lágrimas de Gasolina no ônibus 3.85

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Post Mortem

Sento em minha cama. Uma tragada após a outra.
Sinto tua falta.
Me levanto, visto uma calça e apago as luzes.
Posso ver apenas a cor dos teus olhos e a chama que incendeia o cigarro em meus dedos.

Ouço o bater das cortinas contra o vidro da janela.
Teus olhos estão mais perto, sinto tua respiração.
Um pedido de socorro, não teu, mas meu.
Tão perto em meus sonhos, mas tão longe no mundo real.
Sinto teu toque em meu braço. Teus dedos gelados.
Como doi, não consigo diferenciar a dor. Se ela provem de teus dedos mortos ou da sua ausência.

Teu corpo se materializa a minha frente. Sinto tua respiração.
Um beijo seco, quase morto. Uma palavra de adeus, não proferida pelos teus lábios sombrios, mas pela vida.
A vida nos separou, meu anjo.
Não posso sentir meu braço, muito menos o sangue que escorre de meus pulsos.

Sinto teu corpo sobre o meu, trocando caricias vindas do alem tumulo.
Um toque sobre o peito e um beliscão.

Fecho os olhos, as luzes se acendem.
O cigarro se apaga.

Te abraço com força. Enfim juntos.
Enfim juntos, meu amor.

- Lágrimas de Gasolina

terça-feira, 23 de julho de 2013

Possuir

Ao som do mais remoto silêncio, ao tremor do mais tranquilo repouso, ouço seu nome sendo sussurrado, espalhado aos quatro ventos; como a mais bela canção de amor, ou a mais triste lágrima derramada.
Não sei se te amo, se te odeio. Te amar me faz odiá-la. E quando eu te odeio percebo o quanto te amo. 
Se eu seguro sua mão, em um movimento ríspido você a recolhe. Se você me abraça, sem demoras me afasto.
Quando me critica, sorri. E quando lhe irrito, sorrio. Pare de jogar. As fichas acabaram.
Ter você aqui, agora é um vicio.
Se te amo ou se te odeio? Não sei. Nunca vou saber.
Só sei que preciso de você aqui, e agora.
- Dedos Azuis

terça-feira, 16 de julho de 2013

Raízes

Ele lentamente levantou a cabeça, abrindo uma brecha em seu pensamento e deixando seu olhar fundir-se no céu noturno.

Vagou e divagou sobre galáxias e estrelas, e em meio a um determinado brilho, parou.

No dia seguinte, completaria 42 anos.

42, nossa! Como a vida passou rápida!

Olhou para baixo, para seu terno impecável, para sua gravata perfeitamente lisa, e pensou se tudo aquilo valia realmente a pena.

Tentou lembrar-se da sua infância, de como tudo era simplesmente mais calmo antes.

E conseguiu; porém, atrelado a perfeição de uma calmaria espiritual, estava sempre entrelaçada a imagem de seu pai.

Bóris; o Grande e Perfeito Bóris. Este era seu pai, um executivo brilhante, que com um rápido vislumbre conseguiu salvar suas três companhias em meio ao caos de 29. Nascido com uma intuição de ouro, potencializado para o sucesso, e com o cu virado para a lua, seu pai era uma enorme Sequoia, ofuscando todas as outras palmeiras ao seu redor.

E lá estava ele, sempre ofuscado pela sombra do pai. Uma singela gramínea perdida nas raízes da monstruosa árvore Bóris.

Fechou os olhos, reprimindo a raiva, e cortando momentaneamente sua conexão com as estrelas.

Lembrou-se da casa na praia, de sua mãe preparando o peixe para o almoço, enquanto ele voltava da praia com sua pequena prancha em baixo do braço. O cheiro da maresia subitamente preencheu suas narinas, inundando seu cérebro em nostalgia. Viu o pai parado na soleira da porta, e correu em sua direção, gritando, feliz, exaurindo saudades. Bóris, friamente virou-se para o lado, e disse:
- Não toque em mim sujo deste jeito! Esta calça é nova, pelo amor de Deus! Este menino não tem jeito!

Lentamente tirou os sapatos e a gravata.


Estava em sua casa. Caminhou à passos apressados ao escritório de seu pai. Empurrou a pesada porta, ansioso para mostrar sua mais nova obra de arte. 
- Papai, olhe! - E levantou o desenho o mais alto que suas pequenas mãozinhas podiam alcançar.
Bóris, apenas virou a cadeira, e com ela o braço estirado, que tapeou a criança em cheio no rosto.
A pequena criatura caiu no chão, alguns metros ao lado.
- Nunca mais entre em meu escritório sem bater! Nunca mais.

Deixou cair por sobre os ombros o paleto, e removeu a camisa.


Ligou para o pai quando tinha 18 anos, gritando, perdido em felicidade:

- Pai, eu passei pai! Fui chamado na primeira lista! Você acredita?
- Está surpreso por que? Sua obrigação foi cumprida, nada mais.
E desligou.

Retirou a calça e a cueca.


Parou, com a mão na cintura, observando o monstruoso e colossal universo que estendia-se a sua frente.

Hoje fora o funeral de Bóris, e ele nem teve tempo de ir. Mas não se sentiu mal por isso.

Em contraponto, ontem fora a feira de ciência de Sirob, seu filho. Tempo também fora o carrasco, mas, pensando bem, vontade não havia.

Foi quando ele percebeu, que, ramo por ramo, ano à ano, ele mesmo havia se tornado igual seu pai, e estava sendo um terrível Bóris para seu filho.

Removeu então sua pele, e deixou toda sua essência ser espalhada pelo vento frio que rumava a leste, dissolvendo-se em uma nuvem negra de ácaro.

Afinal, uma gramínea pode ser infinitamente menor do que uma Sequoia, mas produz sementes. E, se há um mal, seja ele gramínea ou Sequoia, deve ser cortado pela raiz.

- Dedos Azuis

domingo, 7 de julho de 2013

Leitores

Os anos passam, assim como páginas.

Temos este corpo, duro como uma capa revestida em couro, mas por dentro, somos mais frágeis do que velhas folhas amareladas, que desfazem-se ao toque.

E assim, vamos aprendendo aos poucos que a vida é feita de fragmentos de livros, e não o contrário.
Nascemos no momento que escolhemos qual marcador de página vamos usar;
Alguns são planejados, bem escolhidos. Outros são simplesmente pegados numa velocidade brutal.
Vivemos, enquanto páginas descorrem. Alguns tão rapido que as folhas se rasgam, outros tão devagar que as folhas mal viram.
E no fim, o que importa é como fecharão este livro. Se vamos ser fechados com força e jogados no fundo de um armário, ou se seremos fechado com deliciosa delicadesa, e enfeitaremos para sempre
a cabeceira de cama de um leitor que nos amou por toda uma vida.

E assim, quando aprendermos que vidas são livros, passaremos a ser brilhantes leitores.

- Dedos Azuis

Abraços Propositais

Parece uma agonia sem fim
Uma dor que nunca vai passar
Uma profunda tristeza que sempre me acompanha
Onde até os momentos mais alegres se tornam tristes
Onde tudo perde as cores
Onde tudo perde a vida
Talvez morrer seja mais fácil
Talvez a morte me deixe feliz de verdade
E na mente de um depressivo, as vezes, tudo o que se passa são pensamentos sombrios
Pensamentos onde a morte é sempre a melhor das opções
Pensamentos onde tirar minha própria vida seja a única maneira de achar a felicidade
E isso é tudo o que quero
Talvez a cura dessa tristeza seja a morte
Então vou buscar minha cura
Buscar minha felicidade
Nunca abracei algo com tanta vontade como abracei minha própria morte
Talvez morrer seja mais fácil
Talvez a morte me deixe feliz de verdade
E ela deixou,
A morte me trouxe a vida

- Dama da noite

terça-feira, 25 de junho de 2013

Brilhar

O brilho dos olhos brilha mais que o brilho da faca.
Mas o mundo não brilha. Não mais.
Lusco-fusco, lusco-fusco.
Seu caminhar abafado, e a faca a tilintar.
Lusco-fusco, lusco-fusco.
De repente um sorriso a brilhar, e as estrelas opacas.
O mundo vive, e o opaco brilha. Não mais, não mais.
Lusco-fusco, lusco-fusco.
Sangue brilha a escorrer, e o mundo não vive, jamais.
Meu sangue ou sangue dele?
Lusco-fusco à brilhar.
- Dedos Azuis

segunda-feira, 24 de junho de 2013

04 (Quatro)

Escamas cresceram sobre minha pele, que escorreu como piche pelos meus músculos.
Cuspi a brasa que ocupava meus pulmões.

Minhas escapulas saltaram das minhas costelas verdadeiras. Minhas clavículas contorceram-se.
Urrei. Não gritei, gritar é para os fracos.
Gritar a para aqueles que não cospem fogo como eu.

Coloquei as mãos no solo. As unhas saltaram de meus dedos e garras rasgaram meus nervos.
Urrei e os gritos vieram junto ao eco.
Eram os fracos, aqueles que não cuspiam o fogo, aqueles que não tinham seus membros eviscerados.

Contorci-me junto a poderosa dor. Dolorosamente poderoso.
Olhei para o solo e escarrei um pedaço do tártaro, a voz de cima veio grave montada sobre o Coliseu Romano.

Explodiu o planeta em caos e redenção. Sua voz ecoou pelos continentes e pelos mares, passou pelos campos e cidades e todos que a ouviram foram destroçados, lançados para o alto.

Eu direcionei meus olhos para uma de suas frontes, mas não pude aguentar mais do que segundos. O Dragão Romano esticou teus dez chifres para os céus, uma viscosidade luminosa desceu para o solo terreno.

Ao lado das luzes que caiam, levantaram-se outras criaturas. O Leviathan que adentrou os mares do Oeste. A segunda criatura dividiu-se e aterrissou no solo terreno como duas criaturas. Uma correu para o Sul e a outra se escondeu no Leste.

Me contorci. A luz cessou. O Dragão Romano voou para o Norte.
E o mundo adentrou em Discórdia, Corrupção, Caos e Escuridão.

- Lágrimas de Gasolina



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Manifesto

E naquela esbranquiçada escada de mármore, ele esperava.
Em uma mão pousava uma bandeira branca, na outra, um ardente molotov.
Ele olhou de relance para a prefeitura, e depois para a rebelião caótica que ocorria em suas costas.

Levantou uma das mãos, mas parou antes de concluir a ação. Todos os manifestantes subitamente pararam. A tropa de choque baixou seus escudos. O som do mundo foi reduzido à um leve crepitar de chamas.

Rapidamente as cores e nuances também abandonaram o Brasil. Não havia mais bandeiras. Havia um universo estático preto e branco, e um jovem, ali, parado, com o futuro da nação em suas mãos.

Voltou o olhar para a prefeitura, e desceu-o para a bandeira branca. Sua mão transpirava, dando vida as gotículas que escorriam por sob a haste da paz. Mas, antes de declará-la, hesitou.

Lembrou-se então, dos vinte centavos. Dos vinte centavos que compram cargos políticos, dos vinte centavos que compram amigos. Vinte centavos estes que totalizam a verba anual gasta em saúde, gasta com educação. Talvez vinte centavos seja até mesmo as duas verbas somadas. Lembrou-se dos vinte centavos pagos de salário a polícia, que, por mais vinte centavos, oprime qualquer um que se posicionar contra este Governo que não vale mais do que vinte centavos.

Tentou gritar Brasil, tentou chamar pela pátria! Mas a única coisa, a única, em meio a tanta roubo, a tanta corrupção, a única coisa que passou pela sua garganta foi um jorro de sangue quente. Sangue de ódio, sangue revolucionário.

Voltou a olhar para a bandeira branca. No fundo, ele queria levantá-la, queria amar esta porra de Brasil, pois, se não amasse, teria que deixá-lo. Mas então lembrou-se da merda dos vinte centavos que por anos compraram a dignidade do povo brasileiro.

Mas não mais, não mais! Não mais, PORRA!

O Brasil acordou, a sociedade reagiu! Tardia, mas frenética! Um batalhão sem precedentes que anseia por mudanças, que só vai ser freado por resultados! Uma tropa de pessoas que lutam por um país melhor. Que gritam e jogam para os céus os vinte centavos. Não é por um vinte centavos. Mas por milhões de vinte centavos. Extorquidos de cada brasileiro ano à ano, década após década, mas ninguém diz nada. Ou pelo menos não dizia, pois agora todos foram para as ruas.

Em um momento final, o jovem revolucionário concluiu de que este país não precisa de mudanças, ele precisa ser refeito, e com um grito cortante de agonia, arremessou o coquetel molotov, incendiando tudo e todos.


Ele só não sabia que seu ato não destruiria apenas o país vigente. Destruiria todo um ideal, toda a estrutura da manifestação. Acabaria com os protestos, pois perderam seu caráter pacífico. Não sabia que iniciaria uma guerra civil, um estado de sítio.

Não sabia que o fogo o consumiria tão rápido.

Mas rápido até do que mudanças de estação. Do que primaveras políticas.

- Dedos Azuis